quarta-feira, 25 de julho de 2012

A nuvem, um algodão doce.




   

      Ela estava sentada em sua poltrona demarcada com o número 3F enquanto pensava na sorte que teve de, mesmo sem precisar pedir, ter pego um lugar na janela. O avião ainda estava parado enquanto a voz de algum dos comissários de bordo saía nos auto-falantes. A música que saía de seus fones de ouvido ainda continuava lá, criando uma espécie de trilha sonora para sua saída da cidade.
      De certa forma, aviões sempre significaram algo para ela. Como poder resumir certos sentimentos que estavam dentro dela sem precisar usar muitas palavras? Um avião. Isso resumiria tudo. Ele era a mudança, a liberdade, a saudade, o reencontro, a volta para casa. O vento que passava e levava tudo embora com ele.
      O avião estava partindo e pela pequena janelinha ela via cenas que imaginava desde pequena, mas que só viu a primeira vez que viajou pelo céu. Aquelas nuvens que mais pareciam algodão doce. Fechou os olhos e lembrou do sonho que tinha quando possuía apenas 5 anos de idade e as coisas eram fáceis, coloridas e encantadas. Ela saía pela janelinha com certo esforço e se jogava contra o vento. Os cabelos voavam-lhe na face enquanto caía de costas. Até sentir algo macio, uma nuvem gigante e fofinha que a enlaçava e a aconchegava. Poderia comer um pedacinho, se quisesse.
      Abriu os olhos novamente e viu que já estava aterrissando em sua cidade. Os sentimentos voltaram. Estava voltando para casa, voltando para quem amava. Para quem a amava de volta. O sentimento único que só o avião a proporcionava, dentre tantos outros.
      Chegando ao aeroporto, tirou os fones de ouvido, saiu do avião - como sempre se despedindo mentalmente com um "até mais" - pegou suas malas, e saiu porta afora do desembarque com um sorriso no rosto, olhando a multidão que sorria de volta - esperando todas aquelas pessoas que também estavam voltando, chegando, felizes e tristes. Olhou em volta e lá estavam as duas pessoas que a amavam incondicionalmente, abraçadas e sorrindo. A esperando.
      Chegou em casa. Feliz.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Aos que me ensinaram.

   

      Outro dia desses estava lembrando de alguns anos atrás. Pensei nos momentos desde meu colegial até o ensino fundamental e acabei lembrando de uma época muito especial que me fez crescer muito como pessoa. Vi coisas que não pensava existir; coisas das quais muitas vezes não gostei, mas que foram necessárias.
      Estava na sexta série do Ensino Fundamental e tinha acabado de chegar à Belo Horizonte. A adaptação estava sendo difícil, haviam muitas coisas das quais ainda não havia me acostumado. E no meio de toda aquela confusão descobri algo muito legal: um projeto social que a escola promovia. Qualquer um poderia participar se inscrevendo na secretaria; e assim o fiz.
      Nosso trabalho era basicamente entreter e ajudar. Na medida do possível levávamos alimento para os lugares mais carentes. Foi nessas indas e vindas de favelas e morros que conheci a pobreza, a fome e principalmente a simplicidade. Mas tenho de admitir que não foi nada fácil ver tudo isso.
      Lembrei das crianças de creches carentes pedindo "só mais um biscoito, tia". É claro que minha vontade era de dar quantos biscoitos ela quisesse, mas infelizmente, não podíamos, pois haviam mais umas cem crianças querendo comer; precisando, na verdade. E isso foi só uma parte do meu aprendizado. Eu me sentia tão bem vestida de palhaço, com várias crianças rindo atrás de mim, gostando dos bolos, biscoitos, pipocas e achocolatados que dávamos. Me sentia útil. Humana.
      Conheci além das creches, lares de adoção - nos quais as crianças elaboravam espécies de apresentações para mostrar seus talentos. Era duro ver na carinha deles, que esperavam receber um lar. Conheci em um desses lares, o João Victor, um garotinho de apenas dois anos de idade, moreno cheio de cachinhos e os olhos mais verdes e carentes que vi. Nos demos muito bem logo de início, ele não saía do meu colo, e eu não queria largá-lo. Pude, pelo menos por um dia, suprir a carência que transbordava naqueles olhos tristes, pidões.
      Em um outro dia fomos em uma casa de repouso. O que eu posso falar? Foi chocante. E extremamente emocionante. Aconselho todos a um dia, se puderem, ir à alguma casa dessa espécie. Porque? Nunca ouvi tantas histórias extraordinárias na vida! É engraçado porque esses senhores que vivem lá, se têm alguma família, não os dá o suporte necessário, e eles acabam assim, abandonados. Mas a maioria é bastante lúcida e conta histórias incríveis. Eles querem ser ouvidos, querem ter a quem contar suas vivências, adolescência, paixões... assim como qualquer um de nós!
      Foi assim que conheci a experiência de um idoso que só queria alguém para ouvi-lo e a inocência de uma criança que, independente de provavelmente te ver um dia em toda a sua vida, aproveita cada segundo do que você pode proporcionar à ela.
      Não foi uma experiência fácil. Várias foram as vezes que voltei para casa derramando lágrimas; não sabia ao certo se de tristeza - por haver tal tipo de coisa - ou de alegria - por ter tido a chance de trazer alegria, um dia se quer, na vida dessas pessoas. Acho que isso me tornou uma pessoa mais forte, realista. Uma pessoa mais agradecida ao que tenho.
      Posso dizer que aprendi com essas pessoas maravilhosas que passaram na minha vida; e sei que muitos deles não lembram de mim, mas gostaria de agradecer a todos eles por terem me ajudado a amadurecer. Aconselho à todos que querem uma realização como pessoa, a fazerem trabalho social.
      É incrível. É humano.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Ao vento te jogarei, amor.

   




      Acredito piamente que é difícil falar de amor ou de assuntos emocionais, aqueles voltados totalmente ao sentimental. Afinal, não são todos que conseguem, ao menos, pensar a respeito do amor. Há quem ache um assunto tão clichê, que não merece mais ser tratado, mas bom, eu acredito que há muitas pessoas que falam sobre o amor, mas nunca o tratam como ele realmente é. O amor não é algo fácil, que se conquista rápido. Ou pelo menos assim eu acredito com meus dezenove anos de idade.
      É muito claro para mim ao fazer a leitura de um texto, definir de que mal a pessoa está sofrendo: Paixão ardente ou desilusão amorosa. O primeiro caso irá falar de amor à primeira vista - que na minha percepção não existe - e no segundo caso, a pessoa irá falar que o amor em si, ou não existe, ou está se escondendo em algum lugar.
      É como digo, eu sou muito nova, mas hoje tenho uma percepção - não muito nítida, devo admitir - de que o amor é algo que está relacionado com convivência, superação e batalha. Vejo o amor da seguinte forma: começa como um projeto, que vêm sendo trabalhado diariamente com muito empenho, e de repente... puft, surge a mais bela forma de sentimento, o mais belo resultado de muita paciência e dedicação: o amor.
      Não sei se consigo ser clara, afinal é um assunto tão subjetivo que as palavras fogem. Caro leitor, me imagine neste momento tão nervosa para tentar explicar meu ponto de vista, que as minhas mãos não param de se mexer, articulando. Enfim, cheguei a conclusão de que o amor é bonito, mas até chegar a esse ponto, de amar alguém, a batalha é feia, com muitas discussões e muitas horas gastas pensando na melhor maneira de compreender as atitudes do companheiro.
      Acho engraçado o fato de existir um filme que é tiro e queda para descobrir os apaixonados. Assista algum dia 500 Dias com Ela, ou 500 Days of Summer, como preferir. É um filme tão realista que choca os mais emotivos, e deixa um sorriso nas pessoas que são um pouco mais racionais, entendem que nada é perfeito e nada é para sempre, como já dizia Cássia Eller. Eu sorri.
      Com algumas experiências - e isso independe da idade, quero deixar claro - vamos percebendo que a paciência, talvez, possa ser a chave de tudo. Não digo que o amor deva ser algo pensado demais, calculado demais. Isso o deixaria frio, sem sentido. Mas acho também que o amor não deve ser algo totalmente emotivo, caso contrário, a impulsividade reinará. Consegue me entender? Tá ali, no meio termo. Nem um, nem outro. Ou melhor... ele é um pouco dos dois! O amor é sim, impulsividade, emoção, euforia, tanto quanto é frieza, manipulação e controle. É só saber a dosagem certa.
      E é no final deste texto que chego a conclusão de que eu estava correta na primeira frase do texto. O amor é algo difícil de se retratar. Parece até que essa confusão de palavras com algum sentido - ou nenhum, vai de cada um compreender - foi mais algo para mim. Este texto, leitor, desculpe-me, mas é somente eu tentando colocar os pensamentos em ordem.
      Por mais que eu queira entender, ainda há muita ciência por trás dessa pequena palavrinha com tanto significado do que me agradaria. Mas e você - se me permite - já tentou colocar os pensamentos em ordem hoje? Vamos lá, invente algumas palavras, e jogue ao vento!
      No momento joguei o amor. Ao vento.